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Mandela celebra 95 anos no hospital, onde melhora gradualmente


JOANESBURGO, Gauteng, 18 Jul 2013 (AFP) - Nelson Mandela completa nesta quinta-feira 95 anos internado em um hospital de Pretória, onde, segundo a presidência sul-africana, seu estado "melhora gradualmente", enquanto as mensagens de felicitações de todo o mundo já começaram a chegar.


O herói da luta contra o apartheid e ex-presidente sul-africano está internado há quase um mês e meio no hospital, mas sua filha Zindzi afirmou na quarta-feira à rede de televisão Sky News que seu pai "está fazendo progressos notáveis" e vê "televisão com fones de ouvido".
"Seus médicos confirmaram que sua saúde melhora gradualmente", acrescentou a presidência sul-africana em um comunicado, que, pela primeira vez desde 23 de junho, não utiliza o termo "estado crítico".
A esposa, os filhos e netos de Nelson Mandela irão ao hospital nesta quinta-feira para fazer uma refeição em homenagem ao 95º aniversário do primeiro presidente negro da África do Sul, afirmou sua neta à AFP.
"Iremos ao hospital para comer com o avô", acrescentou.
Por outro lado, muitas ações beneficentes ou simbólicas serão realizadas para celebrar o dia 18 de julho, estabelecido pela ONU como o "Mandela Day", durante o qual cada cidadão do mundo é convocado a dedicar simbolicamente 67 minutos a serviço dos outros, em homenagem aos 67 anos de militância de Mandela.
Exemplo de coragem e humildade
As felicitações a Mandela se sucediam nesta quinta-feira.
"Feliz 95º aniversário a Nelson Mandela, um homem extraordinário e incansável defensor dos direitos humanos", escreveu no Twitter o arcebispo Desmond Tutu, também conhecido por sua resistência ao apartheid, o regime racista abolido em 1994 com as primeiras eleições multirraciais.
"O lugar de Mandela na história da África do Sul está garantido", disse o último presidente branco do país, Frederik de Klerk, que recebeu junto com Mandela o prêmio Nobel da Paz.
"Seu legado de valentia, perseverança e magnanimidade continuará nos inspirando - e as pessoas de todo o mundo - nas próximas gerações", acrescentou.
O presidente americano, Barack Obama, ressaltou o "exemplo extraordinário de valentia, amabilidade e humildade" dado por Mandela.
Já o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, se referiu a um "homem que devolveu ao povo sul-africano sua liberdade e dignidade".
As recentes boas notícias sobre o estado de saúde de Mandela contrastam com os temores expressados nas últimas semanas diante desta hospitalização por uma grave infecção pulmonar. Muitos, incluindo alguns em sua família, se preparavam para um doloroso luto nacional.
Atualmente, Mandela reconhece seus visitantes e parece ser capaz de se comunicar. "Está respondendo muito bem, com os olhos e assentindo com a cabeça. Às vezes levanta as mãos como se quisesse apertar a nossa mão", afirmou sua filha Zindzi depois de visitá-lo na quarta-feira.
"Houve um momento em que estávamos muito ansiosos e preocupados, e estávamos preparados para o pior. Mas ele continua nos surpreendendo a cada dia", disse sobre seu pai.
Na sexta-feira, Graça Machel, a esposa de Nelson Mandela desde 1998, disse estar menos preocupada que nas semanas anteriores. Mandela se casou com Machel no dia em que o ex-presidente completava 80 anos e o casal celebra nesta quinta-feira seus 15 anos de união.
"Feliz aniversário" em uníssono
Em 2009, foi celebrado o "Mandela Day" pela primeira vez na África do Sul.
"Decidimos por este dia em homenagem a Madiba (nome do clã de Mandela) para inspirar cada um de nós a agir pessoalmente e mudar o mundo para melhor", disse o presidente sul-africano, Jacob Zuma.
No ano seguinte, em 18 de julho de 2010, a ONU decretou a celebração do "Mandela Day". "Hoje, todos os nossos pensamentos passam pela rica herança que nos deixou, a nós, sul-africanos, e ao mundo", declarou Zuma. "Façam de cada dia um Mandela Day", acrescentou.
Nesta quinta-feira, estavam previstas a apresentação da música "Parabéns para você", cantada em uníssono pelas crianças de todo país, além da pintura de escolas por voluntários e a limpeza de ruas por uma associação de motociclistas.
Mandela, detido durante 27 anos pelo regime segregacionista do apartheid, saiu da prisão sem pronunciar uma só palavra de vingança.
Libertado em 1990, negociou com as pessoas que na época ocupavam o poder uma transição para a democracia. Uma vez convertido em presidente, em 1994, não tentou humilhar ou prejudicar a comunidade branca, defendendo permanentemente a reconciliação.
Foi também esta capacidade para perdoar seus carcereiros brancos o que permitiu que Mandela ocupe um lugar permanente na História.
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