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Argeu dos Santos: o vilão quer virar herói em Sobral



Comandante do Cacique do Vale, o técnico já esteve do outro lado e acabou com o sonho dos sobralenses em 1984

O futebol prova, mais uma vez, que um dia você pode estar de um lado e em outro momento pode estar na posição contrária. Esta não foi a primeira e não será a última em que o destino ataca, mas, desta vez, a situação inusitada aconteceu no futebol cearense. Imagine acabar com o sonho de uma equipe ao participar diretamente de dois gols em uma final sobre ela. Agora, mentalize como é, quase 30 anos depois, estar do lado dos antigos derrotados e buscar um título inédito que foi adiado por sua causa. Esta é a situação vivida por Argeu dos Santos, atual técnico do Guarany de Sobral.

Argeu atuou pelo Ceará quando o time derrotou o Guarany em uma final de turno Foto: Kiko Silva

Em 1984, o então zagueiro do Ceará foi fundamental na bela campanha do Alvinegro no Estadual. Para completar, Argeu foi o carrasco do Cacique do Vale.

Na temporada, o atleta vazou a defesa do Guarasol três vezes e, na final do Segundo Turno, deu duas assistências para gol. Neste domingo, às 16h, na Arena Castelão, o agora técnico da equipe sobralense, terá de concluir o pagamento da dívida que disse ter com o esquadrão rubro-negro, mas diz considerar que já vem sanando essa conta desde que assumiu o Bugre.

"Tive o prazer de vestir a camisa do Ceará e vir para Sobral defender o Alvinegro. Naquele tempo, era e continua sendo difícil para qualquer time buscar o resultado aqui, mas joguei, talvez, algumas das melhores partidas da minha vida contra o Guarany. Fiz gols e ajudei o Vovô a superar a grande equipe sobralense, que tinha Teco-Teco, Valdir e Tangerina", rememora.

"Posso dizer que essa possível dívida já está sendo paga. Tirei o clube do rebaixamento eminente, classifiquei o time duas vezes e, agora, levei à final. Acho que ninguém pode reclamar, mas ainda falta o pagamento da parcela final", avalia.

Renascimento

De fato, a campanha de Argeu não pode ser criticada. Após sair do Tiradentes, o treinador aceitou assumir a missão de reerguer o Rubro-Negro, que era o último do Campeonato Cearense, com apenas cinco pontos.

Para dar essa reviravolta, o técnico teve de mudar alguns hábitos no time do Alto do Cristo, o que acabou gerando alguma insatisfação, ainda que momentânea, dos jogadores.
O atrito se deu por conta do fim da "segunda-feira do chinelinho", dia em que os atletas tinham direito a folga.

"Assim que cheguei, coloquei o grupo para trabalhar forte e cortar a folga de segunda-feira. Comecei colocando-os para treinar em campo reduzido e em atividades para aprimorar o toque de bola. Ouvi muita bronca, pois aquele era o dia da rapaziada, e tive de encarar a galera vindo treinar com cara feia. No fim das contas, os jogadores entenderam. Até que, num certo dia, ia poupar a turma e eles me pediram para treinar, foi nesse momento que vi que tinha ganho o time", recorda.

Para a final, o discurso do técnico é claro: "chegamos aonde não imaginávamos. Como uma Fênix, saímos do nada para disputar um título", conclui.

Eduardo Buchholz
Repórter – DIÁRIO DO NORDESTE
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