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Datafolha e Vox Populi podem ser investigados pela Polícia Federal


A diferença entre as pesquisas Datafolha e Vox Populi sobre a disputa eleitoral em São Paulo que passaram a ser divulgadas a partir da noite da última quarta-feira (19.9) constitui uma verdadeira afronta ao eleitorado paulistano e, portanto, tem que ser esclarecida.
Resumindo, o Datafolha traz uma reviravolta no que vinha acontecendo e mostra queda de Fernando Haddad (15%) e subida de José Serra (21%). Já o Vox Populi, aponta continuidade tanto da subida do candidato do PT (18%) quanto da queda do candidato do PSDB (17%).
A esse fato, soma-se entrevista que a jornalista Conceição Lemes, do site Viomundo, fez ainda na quarta com o vereador pelo PT de São Paulo Antonio Donato, coordenador da campanha de Haddad. Donato afirma que o Datafolha está distorcendo números para beneficiar Serra.
Para quem não sabe, é crime fraudar pesquisas eleitorais. Dá até cadeia. É nesse contexto que se conclui que há realmente algo de muito estranho na diferença entre as tendências apontadas por cada instituto na eleição paulistana.
Alguns podem achar que eventuais manipulações “dentro da margem de erro” ou próximas a ela podem ficar impunes. Engano. Há, sim, como detectar se houve manipulação dos dados coletados.
Em poucas palavras, os resultados que as pesquisas mostram são produtos de relações numéricas. Um número pode estar dentro da margem de erro em relação a outro, mas, numericamente, ou é maior ou é menor ou é igual.
Terão o Datafolha ou o Vox Populi se aproveitado da “margem de erro” para modificar números que não agradaram? Para descobrir, basta contar os dados das fichas de entrevista.
Vale lembrar, olhando a questão da perspectiva da Justiça, que só o que se pode pedir a ela é que aceite investigar a diferença suspeita entre os números daqueles institutos e ao menos uma acusação de manipulação feita por um dos atores envolvidos.
A Justiça Eleitoral, por sua vez, já aceitou investigar pesquisas a pedido deste blog e da ONG Movimento dos Sem Mídia ainda em 2010 e mandou a Polícia Federal abrir sindicância. Em tese, portanto, não será necessário recorrer à Justiça Eleitoral, pois a investigação está aberta.
À PF haverá que oferecer, também, noticiário francamente desfavorável ao PT que a Folha de São Paulo, dona do Datafolha, vem produzindo incessantemente.
Por exemplo: no dia anterior à divulgação do último Datafolha, o jornal que controla o instituto publicou manchete de primeira página distorcendo queixa que a campanha de Haddad fez à Justiça Eleitoral contra a vinculação do petista ao julgamento do mensalão.
A Folha “mancheteou” que “Haddad” teria dito que Serra vinculá-lo a José Dirceu o “degrada”, quando, na verdade, o candidato do PT não disse nada disso. A campanha de Haddad – e não o candidato – disse à Justiça Eleitoral que é injusto vinculá-lo a um caso com o qual não tem relação.
O que a Folha fez com Haddad poderia fazer com Serra em relação ao abandono do cargo de prefeito. A manchete hipotética poderia dizer que o tucano se diz degradado por ser denunciado pela decisão que tomou.
Motivos para crer que a Folha está jogando todas as fichas para ajudar Serra, portanto, não faltam. Só falta denunciar o instituto de pesquisa controlado pelo jornal antipetista.
A investigação da PF sobre pesquisas foi aberta há cerca de dois anos e ainda não foi formalmente encerrada, após tanto tempo. Talvez o que faltasse para o caso andar, pois, fosse algum fato novo, o qual, pelo visto, acaba de surgir.
O setor jurídico do Movimento dos Sem Mídia opina  que há elementos para incluir na investigação de pesquisas que está em curso na PF a divergência suspeita entre Datafolha e Vox Populi. Ainda nesta semana, a decisão sobre fazer nova denuncia será tomada.
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