Arquivo do blog

Menu do Site

iG pegou carona no carro da Nissan que dirige sozinho


Nissan promove de tempos em tempos um grande evento mundial para a imprensa especializada. Chama-se Nissan 360 e é uma rara oportunidade de dirigir vários modelos produzidos pela fabricante japonesa. E foi o que o iG fez em uma arena preparada numa antiga base aérea militar da marinha dos Estados Unidos na Califórnia.
Guiamos desde carros que chegarão ao Brasil (como o novo Sentra), a esportivos como o GT-R e até mesmo utilitários, incluindo um micro-ônibus de condução bem divertida. O mais curioso é que o modelo mais espantoso não pôde ser “guiado” afinal seu grande chamariz é o de nos tornar passageiros em 100% do tempo, graças ao sistema que faz o papel de motorista virtual.
Aparência comum
O veículo escolhido pela Nissan para testar a tecnologia “Autonomous Drive” (direção autônoma) foi o Leaf, seu primeiro veículo 100% elétrico. O hatch movido apenas pela energia de baterias de íon de lítio é a vedete mundial da marca e roda no Brasil apenas como táxi.
Chegamos à pista de teste e lá conhecemos alguns dos responsáveis pelo projeto como Mitsuhiko Yamashita, vice-presidente de desenvolvimento do projeto. De fala mansa, o executivo japonês explicou como a Nissan tem investido na tecnologia. A ideia é ter uma pista de testes especialmente desenhada para avaliar os principais problemas ainda não resolvidas da direção autonôma, como saídas de autoestradas e a reação a pedestres e situações inusitadas.
Andamos até o Leaf, examinamos seu exterior e pouca coisa chamou atenção – apenas algumas câmeras semelhantes a de estacionamento em volta da carroceria, além de pequenos retângulos pretos. Perguntei a Yamashita por que o Leaf não possui aquela torre no teto do carro, como o carro autônomo do Google e ele me respondeu com um ar maroto “nossa tecnologia é mais avançada que a deles”.
De fato, o sistema da Nissan é até simples comparado ao Toyota Prius usado pelo Google como bancada de testes. São câmeras, radares e sensores laser espalhados por todos os lados do automóvel, além de um banco de dados com mapas atualizados. Há também dois atuadores (espécie de motores) responsáveis por acelerar e frear o carro – a direção elétrica, também possui um dispositivo que automatiza suas funções.
Nissan Leaf Autonomous Drive
Divulgação
Onde estão os sensores e câmeras do Leaf com sistema de direção autônoma. Modelo dispensa a torre de sensoreso do rival do Google
Sr. Autônomo
Entramos no carro e lá estava um motorista real à frente do volante. “Mas não é um carro que dirige sozinho?”, perguntei. O funcionário explicou que o Leaf funciona como uma versão normal do carro até que o sistema autônomo é ligado. A única coisa diferente no seu interior é um laptop no centro do console.
Nosso motorista, apelidado de “sr. Autonômo”, nos levou até o ponto onde o Leaf passaria a dirigir sozinho numa pista pequena demarcada no meio de uma ampla área de concreto. Estacionamos numa baia e a partir dali o Leaf “assumiu o volante”.
Antes de sair, o carro verifica se há movimento na rua e depois começa a se movimentar lentamente. Segundo nosso guia, o Leaf “lê” as marcas pintadas no chão para delimitar o espaço de rolagem, mesmo que sejam tracejadas como em ruas normais. Questionamos então se a falta delas afetaria a precisão do carro e o funcionário da Nissan, um tanto confuso, fez que sim – ele não conhece as vias mal sinalizadas do Brasil...
A primeira impressão sobre o modo de dirigir autônomo da Nissan é que estamos numa espécie de trilho virtual: o carro faz curvas de forma mecânica, sem a suavidade dos humanos. Há uma certa inércia também para acelerar e frear, sintomas de uma tecnologia ainda muito nova.
A Nissan criou um percurso em que mostra algumas situações hipotéticas como um cruzamento e a súbita aparição de um pedestre atravessando fora da faixa. No primeiro caso, quando o Leaf não tinha a preferência no cruzamento, ele parou numa distância segura e esperou o outro veículo cruzar sua frente para, então, seguir seu caminho. Já na vez que ele deveria ter avançado pela esquina, algo deu errado e nosso “motorista” teve um momento de confusão mental. Em vez de avançar de uma vez, o Leaf passou a acelerar lentamente. Após isso, começou a fazer curvas fora do raio ideal, invandindo as faixas.
Nosso guia, um tanto desconcertado, desligou o sistema, assumiu o volante e levou o carro até o ponto final do nosso passeio inusitado.
Nissan Leaf Autonomous Drive

Como o Nissan "enxerga" o trânsito e seu entorno: sistema ainda tem dificuldade em tomar decisões e prevenir situações de risco
Agilidade
A segunda situação em que o Leaf foi apresentado mostra o carro reagindo a um pedestre distraído, que invade a pista por detrás de veículos estacionados. Testado com um boneco, a situação demonstrou que o sistema da Nissan soube interpretar o risco e desviar do pedestre em tempo muito mais curto que um ser humano poderia fazer. Resta saber como ele reagiria caso houvessem outros obstáculos como carros ao lado ou mais pedestres.
A sensação de andar num veículo autônomo é um tanto estranha no início, mas nos faz pensar como somos exigidos em situações extremas no trânsito todos os dias. É um trabalho de certa forma inútil que pode, sim, ser executado por computadores. Mas o horizonte é um tanto distante ainda. A Nissan, por exemplo, acredita que terá carros com esse recurso apenas em 2020: “trabalhamos para que dentro de duas gerações tenhamos o carro autônomo à venda”, diz Yamashita. .
O carro autônomo não será apenas um item para conferir produtividade ao nosso dia a dia. Ele também significará mais segurança nas ruas, afinal 93% dos acidentes hoje estão ligados a falha humana. Mas sua aplicação exigirá mudanças nos projetos dos carros já que o computador consegue guiar de forma mais eficiente e tirar mais desempenho do veículo – o espaço de frenagem, por exemplo, tende a cair, o que desgastaria com mais rapidez os freios dos veículos atuais.
Talvez o futuro não veja carros voando tão cedo como num desenho dos Jetsons, porém, o ato de dirigir deverá ser apenas um opcional num cenário não tão distante.


Share

Poste um comentário: